O Brasil tem em torno de 30 mil clubes registrados. Todos têm história. Muitos têm conquistas. Poucos têm torcida. Raros transcendem a alcunha de time de futebol. O Santa Cruz é um deles. O Tricolor do Arruda é daqueles que rasgam roteiros previsíveis e escrevem cada capítulo entre o imponderável e o impossível. É futebol em estado pleno. Alma, paixão e suor como se fossem três cores.
O jogo contra o Treze, em Campina Grande, foi um epílogo dos últimos seis anos. Tudo que a massa coral sentiu esse tempo todo, experimentou a conta-gotas em 90 minutos. O baque, o susto, a dor, a angústia, a aflição, a resignação, a reação, o ânimo. A esperança. O Santa Cruz é o santo da persistência. Do nunca desistir. Do levantar sempre, não importa quantas vezes caia nem quão dura seja a queda. A grama do Estádio Amigão era fofa demais pra abater quem já topou com tantas agruras da bola.

O Santa é diferente. Foi eleito pelos deuses da bola e sentenciado a um amor cego. Incondicional é pleonasmo no dicionário coral. O time que leva fé no nome vive de provações. Amar é aguentar. Clubes muito maiores já teriam sido sugados pelas circunstâncias se estivessem na Série D. Gigantes do nosso futebol não poriam 5 mil nas arquibancadas se tivessem que passar o ano a duelar nos grotões do esquecimento. Mas o Santa Cruz não tem torcedores. Tem apóstolos. Quatro mil deles desbravaram o Agreste pra não deixar o sonho morrer, mais uma vez, no meio do caminho. O esquadrão do povo e sua multidão fiel.
O Treze abriu dois gols de vantagem, o Tricolor diminuiu, a esperança arrefeceu logo depois com o terceiro gol paraibano e tudo parecia perdido. Com o Santa, uma odisseia parece clichê. O baque desfaleceu, mas não matou. Feriu, mas não incapacitou. Enquanto havia tempo, havia jogo. Enquanto havia fé, o santo da persistência não haveria de fraquejar. 3 a 3. A igualdade foi obra do inacreditável. Gol do destino. Triunfo da fé.
O Santa Cruz saiu de campo com uma vitória vestida de empate. Está ainda a uma eternidade do paraíso, mas a um passo do retorno da dignidade.
Este foi o jogo de um time contra mais que um time.
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